Quem copia o rabo amplia!

Nota: publicado no site HumorTadela, em 24 de março de 2004.

Nunca usei ideias alheias, mais por orgulho do que por honra. Minhas idéias podem ser idiotas mas eu tenho carinho por elas, crio essas coitadinhas abandonadas desde pequenininhas. Peguei amor. Assim, quando alguém chega e diz: 'oi, eu queria trocar uma ideia com você, logo explico: - Desculpe, mas as minhas ideias eu não troco pelas de ninguém!

Isso era antes. No princípio era o verbo, as trevas e o caos. Depois veio a luz, a internet, os filhos da mãe que roubam tudo que a gente cria e aí o caos piorou muito. Digo isso porque, ontem, só faltou eu botar a peruca, o chapéu e fazer uma lobotomia, porque eu fiquei realmente tiririca.

Eu sei, eu sei, que a cópia é um elogio silencioso, que ser alvo de problemas é sinal de sucesso. Mas tem gente que merecia ter as orelhas fatiadas com tomate seco e servidas em torradinhas de coquetel. Como é que alguém pega um texto que você escreveu, elaborou, seja ele bom ou ruim, tira o seu nome que assina a coluna no final e simplesmente, passa adiante sem crédito e publica dizendo que é de autor 'desconhecido'? Olha, se é por falta de 'conhecimento', muito prazer!

Do que eu estou falando? De um blog do Terra do tipo 'eu odeio', que copiou de cabo a rabo, da nuca ao calcanhar, a coluna sobre a Solange, chamada 'Minha inguinorância é pobrema meu'. Primeiro que, pra pegar numa coisa íntima que é sua, primeiro precisa pedir se você deixa, e, depois, no mínimo, tem que lavar a mão e botar seu nome.

Não sou um caso isolado, claro, milhões de pessoas são roubadas e chupadas em suas criações, se bem que muita gente que é chupada acaba gostando. Mas só copia quem não cria, quem não sabe o trabalho que dá. O povo que faz charges, piadas com imagens, escreve o endereço, bota nome no Photoshop, tentando evitar que os ladrões de ideias publiquem suas criações sem crédito. Mas como é que a gente põe marca d'água num texto? Será que por causa desse FDP eu vou ter que escrever em PDF e subir em FTP? PQP!!!

Há uma corrente que acredita que a internet é terra de ninguém, uma espécie de 'cúdomundo' coletivo, um grande buraco negro onde todo mundo põe o que quiser dentro. Não é bem assim. A web é uma mídia aberta, pública. É como se a televisão abrisse o acesso do seu sinal e todo mundo pudesse colocar seu próprio programa de televisão no ar. Arcedite, com o nível de gente que rouba o texto, ia ter programa muito, mas muito pior que o do João Kleber no ar! Sim, porque, como a gente já aprendeu, sempre dá pra piorar!

Na minha opinião, que eu pensei sozinha e sem as mãos, as pessoas que hackeiam, pentelham, roubam, explodem e "K-gam" solenemente na web, é um pouquinho de Brasil iaiá e um pouquinho de cada lugar do mundo, e é maravilhoso, é um Epcot Center em Disneylândia, com Harvard, com Biblioteca de Alexandria, com barracão de escola de samba, estúdio de rádio, jornal, correio, tudo. Não vou dizer que a internet é 'tudo de bom', mas ela é muito legal. Todo mundo deveria cuidar bem. Sabendo usar, não vai faltar.

O pior é que toda vez que você tem um problema, vem uma turma pra fazer seu problema parecer ridículo, dizendo: 'Noooosa!!! Você ficou chateada só porque roubaram um texto que você fez??!! Claro, a pessoa não sabe o que é ficar até uma, duas da manhã, criando e escrevendo pra manter uma coluna diária depois de um dia de trabalho. Ou ter que assistir ao Big Brother pra manter a coluna em dia. Pra ela é pouco. É papo de gente que promete que vai botar só a cabecinha só pra levar no mato junto com a Maria Chiquinha.

Pronto, falei. Agora passou. Melhorei. Nem me importo mais. Vou achar uma solução. Vou virar uma grande escritora, internacionalmente famosa, interplanetariamente conhecida. E mais, vou firmar um estilo, assim, mesmo que botem outro nome em baixo do meu texto, ou apenas tirem o meu, os leitores saberão que fui eu quem fiz. Porque gente que cria é sempre vaidosa, tem orgulho do que faz, e precisa de reconhecimento pra ser feliz.

Um beijo copiado, um browser xerocado, um aperto de mouse protegido por copyrights,

da Rosana Hermann.

PS: Alô? Sim? Como? Pois não? Sei... A coluna de hoje não ficou engraçada... entendi... tá... amanhã eu melhoro. Bom, mas veja pelo lado bom... pelo menos hoje, ninguém vai copiar!
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